Framework de gestão: os 3 pilares que me levaram a COO

Meu framework de gestão tem três pilares: propósito, pessoas e processos. O propósito define por que o time existe e o que é sucesso para cada pessoa. O pilar de pessoas exige um gestor que multiplica, em vez de bancar o herói. O processo é o sistema operacional da equipe e existe para dar clareza, não controle.
Em 2020, achei que me faltavam estratégia, produtividade e técnica. Não faltavam. O problema estava dentro de mim, e se chamava medo. Entender isso me levou a diretor de operações (COO) da Transformação Digital aos 27 anos, com 8 times e até 70 pessoas, sem nunca ter feito faculdade. No vídeo, conto como o livro The Making of a Manager, da Julie Zhuo, me ajudou a enxergar isso.
Por que dá medo de ser gestor, e por que isso também é gestão
Dá medo porque ninguém chega ao cargo com a confiança pronta. A confiança vem da experiência, não antes dela. Quem se sente seguro antes de viver a experiência está despreparado ou mentindo, para os outros e para si. Por isso, o primeiro ato de gestão é gerir o medo, a dúvida e a si mesmo.
Uma provocação me ajudou: adultos totalmente seguros e resolvidos não existem. Você provavelmente não está confuso nem bagunçado. Está com medo.
Durante muito tempo, achei que gestão era mandar, saber tudo e nunca errar. Por isso tive medo do cargo. O livro da Julie Zhuo colocou em palavras o que eu já sentia: o trabalho mais difícil de um gestor é lidar com as vozes da própria cabeça e com as do time. Segundo a Julie, o líder de verdade não precisa ser confiante, e confiança em excesso pode virar problema. O trabalho é entender que o medo existe e gerenciar essa energia.
"Ser gestor não é sobre talento, é sobre aprendizado."
Grandes gestores são forjados, não nascem. Na Transformação Digital, a operação rodava 52 eventos por ano, e toda campanha ainda dava frio na barriga. Por isso, não se prive da experiência por causa do medo. Se errar, saiba que todo mundo erra.
Framework de gestão: propósito, pessoas e processos
O framework tem três pilares que se apoiam. Propósito é o porquê prático: por que o time existe e o que significa sucesso. Pessoas é o papel do gestor como multiplicador. Processos são o sistema operacional da equipe. Os três aparecem com força no livro da Julie Zhuo, como eu o li. A aplicação à rotina de uma empresa é minha.
Propósito: o porquê, em forma de rotina
Propósito, aqui, não é frase na parede. É a resposta prática a duas perguntas: por que o seu time existe e o que significa sucesso para cada pessoa, para o time e para a empresa. A ideia lembra o vídeo Comece pelo porquê, de Simon Sinek. Na gestão, o porquê vive no dia a dia.
A empresa é uma engrenagem: a meta anual vira metas trimestrais, que viram projetos, que pedem um time de indivíduos. Quando cada pessoa sabe a meta, em que trabalha e qual qualidade deve entregar, sobram poucas dúvidas, e as que sobram se resolvem na rotina.
A Julie foi gestora de um time ainda embrionário do Facebook. Ela relata que as pessoas não entendiam por que gastavam tanta energia num botão. Quando ela explicou que o botão ajudaria as pessoas a encontrarem melhor os amigos, que é a função do Facebook, o time, a execução e a entrega mudaram.
Propósito sem comportamento é discurso. Quando a fala não acompanha o comportamento, a vontade é maior que a execução. Suba a barra aos poucos, como o atleta que corre 1 km, depois 2, depois 3, e não pule direto para a maratona.
Pessoas: o gestor é multiplicador, não herói
"Se você é o gargalo, o seu trabalho está errado por natureza."
Você precisa de gente que execute com você e por você. Se hoje tudo passa por você, comece por Como sair do operacional: os 3 movimentos do fundador. Gestor também não é quem fica atrás da mesa olhando os outros trabalharem, nem quem faz tudo.
Você não precisa entender o processo melhor que o head de marketing, nem que o engenheiro em campo. Precisa diagnosticar bem, fazer as perguntas certas, construir confiança, dar feedback constante, desenvolver a autonomia do time e gerenciar energia e ritmo.
Parece muita coisa, mas é o trabalho do gestor. Quem opera uma mídia paga pode errar feio a qualquer momento, e uma direção errada numa reunião faz o time perder meses. Por isso o gestor precisa de clareza antes de pressa.
Processos: o sistema operacional da equipe
Se o mês fecha ruim, olhe o processo. Se já passou de um mês e meio ruim, olhe as pessoas, sem esperar o segundo mês. A empresa é feita de gente e de processo, e Abílio Diniz acreditava que gestão é as duas coisas.
Pessoa boa em processo errado entrega resultado ruim. Pessoa ruim em processo bom também tende a entregar resultado ruim. O erro mais comum é criar processo que parece organizado e, na prática, não funciona.
Dê espaço para a pessoa errar e não ponha o processo acima do resultado. O mercado muda, entra tecnologia nova (hoje, a IA) e o que funcionava deixa de funcionar. Seja o primeiro a destruir o próprio processo. O raciocínio é do Jeff Bezos: a Amazon se construiu se destruindo, porque, se ela não destruir o próprio processo, um concorrente vai.
"Processo não é sobre controle, é sobre clareza."
O que um sistema de gestão precisa responder todo dia
Um sistema de gestão precisa responder três perguntas todo santo dia: como eu recebo uma demanda, como converso sobre ela e como a entrego. Com essas três bem ajeitadas, o restante é otimização que você soma à máquina com o tempo. Se uma delas não tem resposta, é por ela que você começa.
Se você não consegue responder uma dessas perguntas sobre a sua empresa, o gargalo está aí. Para ver o seu, peça o diagnóstico operacional gratuito: 35 minutos, com quem implementa, não com vendedor. Você sai sabendo onde está o gargalo e qual o caminho, mesmo que não contrate.
Se quiser entender antes como ele funciona, leia como fazer um diagnóstico operacional na sua empresa.
Como saber qual pilar da gestão está falhando
Comece pelo sinal que mais aparece na sua semana.
| O que você observa | Pilar | Primeiro movimento |
|---|---|---|
| O time não sabe explicar por que trabalha daquele jeito | Propósito | Explique o porquê da meta, da rotina e da ferramenta |
| Nada anda sem a sua decisão | Pessoas | Deixe de ser o gargalo e desenvolva autonomia |
| O mês fechou ruim | Processos | Olhe o processo; passou de um mês e meio, olhe as pessoas |
| Ninguém sabe como a demanda entra, é discutida e é entregue | Processos | Responda as três perguntas do sistema de gestão |
Quando este framework de gestão não serve
Os três pilares dizem onde olhar, não como montar. Este texto não ensina a desenhar um sistema de gestão do zero, e ler sobre gestão não substitui viver a experiência. Se o seu problema é montar a estrutura, você precisa de um sistema desenhado sobre a sua operação, não de mais um conceito.
Também não é um estudo. É uma leitura prática, a minha, feita na operação e inspirada no livro da Julie Zhuo. Funcionou na minha trajetória, e não prometo o mesmo resultado para você.
O framework não tira o medo: medo se gerencia, não some. E, se a empresa ainda não validou o mercado, nada disso é prioridade. Antes de processo, é preciso validar o que se vende.
Perguntas frequentes
Quais são os três pilares do framework de gestão?
São propósito, pessoas e processos. Propósito é o porquê prático: por que o time existe e o que é sucesso para cada pessoa. Pessoas é o papel do gestor como multiplicador, que diagnostica, dá feedback e desenvolve autonomia. Processos são o sistema operacional da equipe e existem para dar clareza, não controle.
Por que dá medo de ser gestor?
Porque a confiança só chega depois da experiência, e o cargo exige agir antes dela. Muita gente também acha que gestão é mandar, saber tudo e nunca errar, o que assusta. A Julie Zhuo diz que o trabalho do líder é entender que o medo existe e gerenciar essa energia. O medo se gerencia, não se elimina.
O que é um sistema de gestão?
É o que responde, todo dia, três perguntas: como eu recebo uma demanda, como converso sobre ela e como a entrego. Com isso bem resolvido, o restante é otimização que se soma ao longo do tempo. Sem isso, as mesmas dúvidas voltam todo dia.
Como virar COO sem faculdade?
No meu caso, o caminho não passou por faculdade. Passou por aceitar a experiência mesmo com medo, errar, aprender e entender propósito, pessoas e processos. Fui diretor de operações aos 27 anos na Transformação Digital. É a minha trajetória, não uma garantia para outra pessoa.
O livro The Making of a Manager vale a pena?
Para mim, valeu. Mudou a forma como eu via o papel de gestor e de líder e colocou em palavras o que eu já sentia. Aqui uso só o que me marcou, como a ideia de que o líder precisa gerenciar o medo, não ser confiante. Não substituo a leitura: leia o original.
Gestão é clareza, e clareza começa por quem gerencia
A gestão que me levou a diretor de operações não veio de uma técnica nova. Veio de gerir o medo, deixar de ser o gargalo e olhar para as pessoas e para o processo ao mesmo tempo. Aprender com a experiência de outros gestores afina o seu radar, mas não substitui a sua.
Para aprender a montar esse sistema de gestão na prática, conheça o SyForge Hub, os nossos treinamentos de ClickUp e IA aplicados. E se você está contratando quem vai assumir esse papel, veja Como contratar um gestor: roteiro de entrevista em 5 blocos.
Para ver os três pilares e as três perguntas aplicados à sua operação, peça o diagnóstico operacional gratuito: 35 minutos, com quem implementa, não com vendedor.
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